Esta turma costuma refletir bastante!

Mostrando postagens com marcador Flávio Gikovate. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Flávio Gikovate. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Vaidade, agressividade e inveja


Estamos tratando de um dos aspectos mais intrigantes da nossa condição: nascemos diferentes uns dos outros e vivemos numa sociedade onde, inexoravelmente, algumas propriedades serão mais valorizadas do que outras.  

 Os critérios de beleza poderão variar de uma sociedade para a outra, de uma época para a outra. Porém, sempre algumas pessoas serão tidas como mais belas; e elas sempre serão poucas, visto que o que é menos frequente chama mais a atenção. A inteligência sempre será valorizada e, quando especial, criará facilidades para a vida prática de seus portadores. O mesmo vale para o vigor físico, para dotes artísticos especiais, para a facilidade no trato com as pessoas etc.

 Mesmo em um contexto ideal, no qual a competição não seja estimulada e seja até mesmo desencorajada, penso que a questão da comparação das pessoas entre si tenderia a ocorrer, gerando desconforto e humilhação em algumas das que se sentissem menos favorecidas. Acredito que, num ambiente não competitivo, muitas pessoas não se sentiriam tão prejudicadas por não serem portadoras de prendas excepcionais (o oposto do que acontece em sociedades como a nossa de hoje, onde a ambição, mesmo desmedida, é tida como virtude). Talvez fosse possível observar mais atentamente até mesmo o lado negativo daquilo que é muito valorizado: mulheres muito bonitas se acostumam a chamar a atenção por esta via e, com frequência, se tornam displicentes no cultivo de outras prendas. Mas a vida é longa, a beleza é efêmera e talvez tenham uma maturidade e velhice mais sofridas do que aquelas que nunca apostaram muito em sua aparência física. Este é apenas um exemplo, mas poderia ser estendido para outras propriedades muito valorizadas.

 Ainda que em menor intensidade e envolvendo um menor número de indivíduos, é provável que algumas pessoas se sentissem prejudicadas pelo fato de não terem sido as eleitas para serem portadoras de tantas prendas. Ao se compararem, sentirão a dor típica da ofensa à vaidade que é a humilhação. Sentir-se-ão agredidas pela simples presença daquelas virtudes no interlocutor. Reagirão com a agressividade típica deste tipo de mecanismo que chamamos de inveja: farão algum comentário depreciativo, desprezando justamente aquilo que gostariam de ter; farão com humor para disfarçar a sensação de inferioridade que está embutida em toda ação invejosa.

 A agressividade sutil dirigida contra pessoas, que nada fizeram a não ser existirem e serem como são, é a marca registrada da inveja.

 Penso que é quase impossível que a inveja não exista. As pessoas teriam que ter a docilidade de aceitar sua condição sem nenhum tipo de frustração. Teriam que viver numa sociedade que não privilegiasse virtudes excepcionais e sim as de caráter democrático, acessíveis a todo o mundo. Teriam que, ao se comparar com as outras pessoas, não construir uma hierarquia: teriam que se reconhecer como diferentes e não como superiores ou inferiores. Este seria o mundo ideal, onde as pessoas seriam amigas e solidárias: estamos mais próximos do fim dos tempos do que dele.

 O que não tem o menor sentido é atuarmos, consciente e deliberadamente, no sentido inverso, na direção de estimularmos a vaidade, a competição e, portanto, a rivalidade e a hostilidade entre as pessoas. Não sei se todas as pessoas são plenamente conscientes, de modo que vale o alerta: não se trata de um caminho obrigatório, pois não somos assim escravos da nossa biologia. Podemos amenizar ou estimular uma dada predisposição que faça parte de nossa natureza. Estamos no sentido inverso, transformando as pessoas em inimigos, rivais. As pessoas estão cada vez mais solitárias e desamparadas. Quanto mais fracas emocionalmente estiverem, mais serão escravas das felicidades aristocráticas, por meio das quais se sentem momentaneamente importantes. O círculo vicioso que estamos vivendo é terrível e já temos claros sinais de para onde é que estamos nos dirigindo.

 Flávio Gikovate




sexta-feira, 4 de maio de 2012

Você acredita em sorte ou azar?






A toda hora dizemos: “fulano tem muita sorte; tudo o que ele faz dá certo”; “sicrano é pé-frio, só tem azar”. Afinal, o que será isso que chamamos levianamente de sorte e de azar, sem tentar entender? Será uma coisa ligada ao “destino” de cada pessoa, à vontade de Deus? Será mera coincidência? Será que existem processos psicológicos que ainda não entendemos muito bem e que predispõe algumas pessoas a ter sucesso nas suas empreitadas?

Não podemos continuar a pensar nesses processos como sendo simples coincidências. Pessoa com sorte no jogo ganham com uma freqüência muito acima do que se poderia esperar pela lei das probabilidades. Chamar apenas de coincidência às repetições de acontecimentos positivos ou negativos na história de vida das pessoas é negar a evidência de que algum outro fator está interferindo na evolução dos fatos. Aliás, essa concepção de que existem “coincidências significativas” e não apenas casualidades foi uma das mais importantes contribuições de Jung à psicologia.

A repetição de fatos positivos ou negativos que nos acontece em série em certas fases da vida sugere a existência de algum processo interferindo em nosso destino. O pensamento científico não pode, pelo menos por enquanto, ir muito longe no sentido de estudar a influência de fatores sobre-humanos em nossas vidas. Porém, não creio que seja prudente descartá-los, pois também não temos dados para isso. A astrologia, a numerologia, o espiritismo e vários outros tipos de esoterismo tentam estabelecer regras a respeito das influências sobrenaturais às quais estariam submetidos. São coisas interessantíssimas e temos de continuar aguardando uma maior acumulação de informações para poder elaborar um julgamento a respeito delas, sem preconceito.

Alguns mecanismos psicológicos podem influir sobre o que chamamos de sorte ou de azar. É bastante provável que existam criaturas mais positivas do que outras. Nossa mente, quando funciona de forma mais otimista e com mais coragem de ter sucesso naquilo a que nos propomos, pode interferir muito nos resultados. Acredito que os fenômenos que chamamos de paranormais existam em todos nós, sendo mais eficientes em algumas pessoas do que em outras. O vendedor que estiver determinado a vender terá melhores resultados. O jogador de futebol com mais coragem para o sucesso disporá de muito mais chances. Ou seja, é bem provável que nossas mentes disponham de mais poderes do que aqueles que conhecemos e utilizamos. Algumas pessoas conseguem se utilizar, ainda que de forma intuitiva, desses outros poderes, obtendo resultados muito melhores. Essas são as pessoas de sorte. Os mesmos poderes poderão provocar, quando ativados negativamente, fracassos sucessivos, e as pessoas que padecem dessa tendência são as azaradas.



Ainda não sabemos como funcionam os processos parapsicológicos e por que algumas pessoas dispõem de certos “dons” – premonições, vidências etc. – e outras não. Mas não podemos continuar a negar a existência desses fenômenos e muito menos deixar de pesquisá-los, pois eles abrem perspectivas incríveis para uma melhor utilização de nosso potencial psíquico. Esses processos não são autônomos e dependem também de como funcionam nossos processos psicológicos mais conhecidos.
Por exemplo, para que uma pessoa possa ter sorte é necessário que ela se permita coisas boas. Todos nós temos um certo tipo de contabilidade interna, na qual uma certa quantidade de esforços dá direito de recompensas. Algumas pessoas se vêem com direito a uma boa quantidade de recompensas, mesmo sem se acharem com o dever de fazer grandes sacrifícios. Essas, é claro, são mais predispostas a ter sorte do que aquelas, muito rígidas do ponto de vista moral, que se sentem melhor quando obtém pouca recompensa com muito sacrifício. A moralidade na qual fomos criados, que dá grandeza e dignidade ao esforço, à renúncia e ao sacrifício, acaba nos levando para o caminho do azar, porque nos impede grandes benefícios sem grandes privações.
A sorte é, ao contrário, um amontoado de ganhos que resulta de pouco – ou nenhum – esforço. São poucas as pessoas de caráter que se permitem isso. E, quando abrem as portas da sorte, em um determinado setor da vida, costumam fechá-las em algum outro igualmente importante. Isso explicaria, por exemplo, a concepção de que aqueles que têm sorte no jogo terão azar no amor.

Nada é mais fascinante do que nossa mente. Não me canso de pensar sobre nossos mecanismos íntimos e gostaria de ser capaz de transmitir o meu entusiasmo. Temos de ler muito, pensar muito, conversar muito, pois tenho certeza de que esse empenho será muito bem recompensado.

Flávio Gikovate


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Marcadores de reflexões:

Adolescência (1) Alberto Mantovani Abeche (1) Alexandre Garcia (1) Américo Canhoto (1) Amizade (4) Amor (1) Andrew Matthews (3) Aneli Belluzzo Simões (1) Ano Novo (2) Antônio Mesquita Galvão (1) Aparência (1) Arnaldo Jabor (6) Arthur da Távola (2) Artigos da revista Cláudia (1) Ary Fontoura (1) Autoria desconhecida (28) Bem-estar (4) Brasil (1) Brena Braz (1) Brian Dyson (1) Carla Rojas Braga (1) Carlos Drummond de Andrade (5) Carlos Reinaldo Mendes Ribeiro (1) Carnaval (1) Cecília Meireles (1) Cedidos por amigos (1) Charges (1) Charles Chaplin (4) Chico Buarque (2) Cinema (1) Civilidade (1) Clarice Lispector (5) Corrupção (1) Crônicas (2) Crueldade Humana(?) (1) Dalai Lama (1) Dalmir Sant'Anna (1) Daniel Bruno de Castro Reis (1) Danuza Leão (3) Datas especiais (14) David Coimbra (2) Dia da Criança (1) Dia das Mães (1) Dia do Amigo (1) Dia do Professor (1) Dia dos Pais (2) Dia Internacional da Mulher (1) Diovana Rodrigues (1) Dráuzio Varella (1) E-book do Prof. Marins (1) E-mails (1) Educação (1) Eleições (1) Evandro Amoretti (1) Fabiana Kaodoinski (1) Fabrício Carpinejar (7) Fátima Irene Pinto (1) Fernanda Mello (1) Fernando Pessoa (2) Flávio Gikovate (2) Flávio Tavares (1) Gabi Borin (1) Gilberto Stürmer (1) Halloween (1) Herbert Vianna (1) Herman Melville (1) Impunidade (1) Internet (1) Ivete Sangalo (1) Jornal Zero Hora (1) José Geraldo Martinez (1) José Ronaldo Piza (1) Kahlil Gibran (1) Kledir Ramil (1) L. F. Veríssimo (7) Laerte Russini (1) Léo Lolovitch (2) Letícia Thompson (24) Letra de música (5) Lilian Poesias (1) Lya Luft (4) Magistério (1) Maktub (4) Marcial Salaverry (1) Maria Helena Matarazzo (2) Mário Quintana (2) Martha Medeiros (31) Masaharu Taniguchi (1) Mau-humor (1) Menalton Braff (1) Mensagens (7) Meu aniversário (1) Meus blogs (4) Minha autoria (67) Miriam de Sales Oliveira (1) Motivação (2) Mulher (8) Natal (2) Oliveira Fidelis Filho (1) Oscar Wilde (1) Osho (3) Oswaldo Montenegro (1) Otimismo (1) Páscoa (3) Paulo Coelho (2) Paulo Roberto Gaefke (5) Paulo Sant'Ana (1) Pe. Fábio de Melo (1) Poemas (1) Política (1) Programa Fantástico (1) Promoções (1) Protesto (1) Recebidos por e-mail (10) Redação Momento Espírita (4) Reflexões (20) Reinaldo C. Moscatto (1) RH Andrade Gutierrez (1) Richard Bach (1) Rivalcir Liberato (5) Roberto Shinyashiki (4) Rosana Braga (2) Rosane de Oliveira (1) Rose Mori (1) Saúde (4) Selos (4) Sexo (3) Silvana Duboc (1) Tais Vinha (1) Textos Criativos (1) Textos Psicografados (1) Titãs (1) Tragédias (1) Vida real (5) Vídeo + texto de minha autoria (11) Vídeos (1) Vídeos feitos por mim (1) Vinícius de Moraes (1) Violência (1) Vitor Hugo (1) William Shakespeare (1) YouTube Vídeos (4)

Clique na imagem e...

Conheça meu blog divulgador!