Esta turma costuma refletir bastante!

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Reflexão de Natal


Estamos a poucos dias de comemorarmos a data que deveria ser o maior acontecimento dos tempos: o nascimento de Jesus. Há, porém, uma tristeza indelével pairando no ar. Pessoas que vão e vêm pelas ruas, preocupadas apenas com os presentes que irão oferecer aos filhos, pais, parentes ou amigos.

 Outros, porém existem, que sofrem nesse dia a perda irreparável de entes queridos que não irão estar presentes às comemorações, esquecendo-se de que a vida é eterna e que só morremos realmente, quando deixamos de acreditar em nossos sonhos. Alguns sofrem por estarem longe de seus filhos, pais ou irmãos que estão distantes. Há aqueles que sofrem por não terem condições financeiras de oferecer aos filhos o tão esperado presente de “Papai Noel” e talvez nem mesmo dinheiro possuam para comprar um alimento para ser servido à mesa no dia de Natal. E o verdadeiro sentido desta data, onde entra? 

Jesus não veio ao mundo para que seu nascimento fosse comemorado com bens materiais. Jesus veio ao mundo para que nossa visão de vida ganhasse um novo sentido de esperança. Veio nos ensinar a deixar de lado nosso egoísmo; veio nos ensinar o amor ao próximo, mas não aquele amor que só ama aos que realmente estão próximos a nós; isso é fácil! 

Jesus veio nos ensinar que devemos estender nossa visão para além daquilo que conseguimos enxergar. E existe muito, muito mesmo o que se ver. Pessoas se preocupam demais com coisas que vistas pelo lado espiritual, perdem sua importância. 

Jesus veio pregar o amor, a compreensão, o desapego, a caridade e a solidariedade. Amor que deve se estender a todos os seres vivos. Desapego aos bens materiais, porque ao nascer não trazemos nada nas mãos, a não ser o desejo de aprender e crescer espiritualmente e ao partir levamos apenas as nossas experiências de vida. Solidariedade e caridade para com o irmão necessitado do pão para seu corpo sim, mas muito mais do pão para sua alma. E essa solidariedade e caridade, não devem ser praticadas apenas no decorrer das festividades de Natal e Ano Novo. Devem ser postas em prática a vida inteira, assim como Jesus nos ensinou. 

Pessoas existem que se confraternizam nesta época do ano, se perdoam mutuamente as ofensas trocadas, apertam as mãos, se abraçam, cantam, bebem e riem juntos, mas no dia seguinte, quando a vida volta ao normal, todas as promessas são esquecidas e cada qual retoma sua vida e seus propósitos se dissolvem no ar feito fumaça. O mesmo egoísmo volta a dominar suas vidas. 

O Natal é uma data bonita que deve ser comemorada com a alma, com alegria, com amor. Jesus nasceu com o objetivo claro e único de dar a vida por nós, para nos salvar. Vamos procurar mostrar a Ele que seu sacrifício não foi em vão. 

Pense nisto: vamos procurar fazer deste Natal não apenas mais uma data em que trocaremos presentes, abriremos champanhe e brindaremos junto aos nossos mas, sim, uma data de renovação de nossos propósitos de vida e de renascimento interior. 

 FELIZ NATAL! 

Rose Mori 

  Daqui.




terça-feira, 20 de novembro de 2012

Vaidade, agressividade e inveja


Estamos tratando de um dos aspectos mais intrigantes da nossa condição: nascemos diferentes uns dos outros e vivemos numa sociedade onde, inexoravelmente, algumas propriedades serão mais valorizadas do que outras.  

 Os critérios de beleza poderão variar de uma sociedade para a outra, de uma época para a outra. Porém, sempre algumas pessoas serão tidas como mais belas; e elas sempre serão poucas, visto que o que é menos frequente chama mais a atenção. A inteligência sempre será valorizada e, quando especial, criará facilidades para a vida prática de seus portadores. O mesmo vale para o vigor físico, para dotes artísticos especiais, para a facilidade no trato com as pessoas etc.

 Mesmo em um contexto ideal, no qual a competição não seja estimulada e seja até mesmo desencorajada, penso que a questão da comparação das pessoas entre si tenderia a ocorrer, gerando desconforto e humilhação em algumas das que se sentissem menos favorecidas. Acredito que, num ambiente não competitivo, muitas pessoas não se sentiriam tão prejudicadas por não serem portadoras de prendas excepcionais (o oposto do que acontece em sociedades como a nossa de hoje, onde a ambição, mesmo desmedida, é tida como virtude). Talvez fosse possível observar mais atentamente até mesmo o lado negativo daquilo que é muito valorizado: mulheres muito bonitas se acostumam a chamar a atenção por esta via e, com frequência, se tornam displicentes no cultivo de outras prendas. Mas a vida é longa, a beleza é efêmera e talvez tenham uma maturidade e velhice mais sofridas do que aquelas que nunca apostaram muito em sua aparência física. Este é apenas um exemplo, mas poderia ser estendido para outras propriedades muito valorizadas.

 Ainda que em menor intensidade e envolvendo um menor número de indivíduos, é provável que algumas pessoas se sentissem prejudicadas pelo fato de não terem sido as eleitas para serem portadoras de tantas prendas. Ao se compararem, sentirão a dor típica da ofensa à vaidade que é a humilhação. Sentir-se-ão agredidas pela simples presença daquelas virtudes no interlocutor. Reagirão com a agressividade típica deste tipo de mecanismo que chamamos de inveja: farão algum comentário depreciativo, desprezando justamente aquilo que gostariam de ter; farão com humor para disfarçar a sensação de inferioridade que está embutida em toda ação invejosa.

 A agressividade sutil dirigida contra pessoas, que nada fizeram a não ser existirem e serem como são, é a marca registrada da inveja.

 Penso que é quase impossível que a inveja não exista. As pessoas teriam que ter a docilidade de aceitar sua condição sem nenhum tipo de frustração. Teriam que viver numa sociedade que não privilegiasse virtudes excepcionais e sim as de caráter democrático, acessíveis a todo o mundo. Teriam que, ao se comparar com as outras pessoas, não construir uma hierarquia: teriam que se reconhecer como diferentes e não como superiores ou inferiores. Este seria o mundo ideal, onde as pessoas seriam amigas e solidárias: estamos mais próximos do fim dos tempos do que dele.

 O que não tem o menor sentido é atuarmos, consciente e deliberadamente, no sentido inverso, na direção de estimularmos a vaidade, a competição e, portanto, a rivalidade e a hostilidade entre as pessoas. Não sei se todas as pessoas são plenamente conscientes, de modo que vale o alerta: não se trata de um caminho obrigatório, pois não somos assim escravos da nossa biologia. Podemos amenizar ou estimular uma dada predisposição que faça parte de nossa natureza. Estamos no sentido inverso, transformando as pessoas em inimigos, rivais. As pessoas estão cada vez mais solitárias e desamparadas. Quanto mais fracas emocionalmente estiverem, mais serão escravas das felicidades aristocráticas, por meio das quais se sentem momentaneamente importantes. O círculo vicioso que estamos vivendo é terrível e já temos claros sinais de para onde é que estamos nos dirigindo.

 Flávio Gikovate




quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Boa Filosofia


Sempre procure ajudar um amigo em necessidade. Tenha confiança em si mesmo. Seja corajoso! Mas lembre-se que é normal sentir medo algumas vezes. Beije muito.

 Não dê tanta importância a teu peso, pois é só um número! Conheça novas pessoas, mesmo que elas pareçam ser diferentes de você. Permaneça calmo... Mesmo quando isso parecer um tanto impossível!Tire um cochilo se precisar... Tenha um ótimo senso de humor e ria sempre!

 Ame seus amigos, não importa quem eles sejam. Não desperdice comida. Ocasionalmente, arrisque-se. Relaxe... até mesmo naqueles dias estressantes!!! Tente se divertir um pouco todos os dias... E... é importante, não importam as circunstâncias... trabalhar em equipe, rir de uma piada com amigos e vizinhos, e apaixonar-se por alguém especial... (Hummm)

 Diga “Eu te amo" frequentemente. Expresse-se criativamente. Esteja sempre aberto a surpresas. Compartilhe com um amigo. Lembre-se do dito popular: “Boas coisas acontecem a boas pessoas!” Sempre haverá alguém que te ame mais do que tu possas imaginar.

 Exercite-se um pouco a cada dia! Viva à altura de teu nome. Agarre-se aos bons amigos; eles são raros! E lembre-se, que este amigo está pensando em você.

Rivalcir Liberato





quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Os múltiplos direitos do transgressor


"Expliquem-me qual nome daremos à impunidade dos criminosos e à dor silenciosa das vítimas e suas famílias" 



Por  ALBERTO MANTOVANI ABECHE* 

 Um fato prosaico num recente jogo de futebol ilustra uma questão muito presente em nosso país. O gol, feito ilicitamente com a mão e flagrado presumidamente por meio eletrônico não previsto pela legislação, foi anulado pelo árbitro, gerando grande polêmica. Muitas vozes se ergueram condenando a atitude do árbitro e defendendo os direitos do atleta e do time que cometeu a infração. 

 Ora, para todos nós, isto não constitui propriamente uma novidade. Em nossa sociedade, estamos acostumados a ver todo tipo de transgressão, de maior ou menor grau, encontrar um expediente ou lacuna na legislação que possibilite manter a liberdade e garantir os interesses do infrator. O fato maior, a lesão causada, o prejuízo à vítima, tudo isso fica em segundo plano e torna-se um detalhe menor. Prevalecem os regulamentos, as letras miúdas, os prazos, as formalidades. Promotores, juízes e advogados esmeram-se em suas funções, mas esbarram numa legislação conflitante e permissiva.  

 Sempre haverá quem se deleite defendendo o que ocorre, exibindo grande erudição sobre todas estas minúcias, e zombando do pouco conhecimento do homem comum, que não alcança a compreensão desta lógica perversa. Parece que estamos anestesiados, aceitamos passivamente que este emaranhado confuso de regulamentações e o seu conhecimento minucioso frequentemente sirvam mais para evitar o cumprimento da justiça do que para promovê-la. Estamos a ponto de aceitar definitivamente que assim deva ser. 

 Parece-me que muito desta aceitação venha da diluição da responsabilidade na tomada das decisões e na elaboração das leis. O criminoso colocado rapidamente em liberdade pelas formalidades acima descritas teria outro destino se soubéssemos que viria a defrontar-se em seguida conosco ou com nossa família? Mas não é assim que sucede, a responsabilidade e as consequências estão diluídas. O lamento de uns não alcança os ouvidos dos outros, e somos frios e formais nas nossas decisões. 

 O que cabe às vítimas e suas famílias? Terão elas algum direito? Ver um criminoso que lhes infligiu uma dor irreparável rapidamente posto em liberdade, e as demais pessoas expostas aos mesmos riscos? Será o seu consolo saber que tudo isto assim acontece de acordo com a lei? Dizem-me que minha incompreensão procede do meu escasso conhecimento sobre o tema, como homem comum e leigo que sou. Dizem-me também que esta é a ordem formal e técnica das coisas e que, fora disto, o que resta é a barbárie. Expliquem-me, então, qual nome daremos à frequente impunidade dos criminosos e à dor silenciosa das vítimas e suas famílias. 

*Médico e professor de Medicina da UFRGS




sexta-feira, 2 de novembro de 2012

A história dos ciúmes



Por Diovana Rodrigues*

Já se ouviu falar na história do amor, quantas pessoas por este mundo a fora declamam o amor, a saudade da mesma forma e também a solidão. Algumas pessoas condenam a dor, o sofrimento e poem a culpa no coitado do amor, que por sua vez, discrimina e julga os ciúmes. Mas eu pergunto: alguém conhece a história dos ciúmes? Não?!

 Então prazer, vou contar-lhes minha história. Eu nasci como todos vocês, de uma relação de carinho, de companheirismo, de amizade, de cumplicidade, mas principalmente, de paixão.

 Nasci pequenino, pouco eu era notado, porque meu amigo, o amor era muito grande e admirado por todos e, por isso, nunca me notavam. Isso me fazia bem, porque eu sou apaixonado pelo amor. Eu ficava quietinho admirando o amor. Ele era lindo perfeito ao meus olhos.

 Certo dia, eu estava quietinho dormindo dentro do coração quando escutei uma voz que dizia assim:
 -Acorda seu tolo! Você esta perdendo seu amor. Ele vai te abandonar e te esquecer. Ele não gosta de você!

 Escutei aquilo e continue quietinho. O amor era todo meu. Eu não temia, eu confiava,  éramos cúmplices, aliados, amigos,  amantes,  apaixonados. Nada nos separaria.

 O tempo foi passando e aquela voz sempre insistindo, me apavorando. Essa voz era a voz da inveja, um sentimento ruim. Ela era muito má, era irmã da tristeza e da injustiça, prima da solidão e casou-se com o ódio. Ela queria meu mal, por não ter ninguém que a tratasse bem e que fosse com ela como eu e o amor éramos um com o outro.

 Tantas vezes, ela veio me acordar e fazer intrigas, falar mal do amor, que aos poucos ela foi nos afastando. Foi assim que comecei a crescer! Eu amava o amor, ainda admirava, mas triste, sozinho, chorava sua ausência. Na minha mente o amor não era mais meu e outra pessoa estava em meu lugar. Sofri tanto em vão. Nunca houve outra: foi pura enganação. Mas essas mentiras foram me cegando e o tempo passando, o amor lindo e único era o mesmo, porém eu cresci demais, ficando mais forte do que o amor.

 Eu digo a vocês que nada na vida é mais triste do que o medo de perder. Nosso mundo, nossas pessoas são muito más, egoístas, ruins. Eu demorei muito a entender isso, muito sofri e chorei, fiquei sozinho.

 Foi nesse momento que a inveja, o medo, a tristeza e a solidão se fizeram presentes, sempre me atormentando a mente. Fiquei doente, caído, quase sem vida. Pisaram em mim, chorei tanto de medo de perder de vez o amor. O amor se afastou de mim, porque eu mudei. Eu não era mais o mesmo. Perdi a alegria,  a autoestima. Não era mais meigo nem confiante, mas o pior era que eu não confiava mais no amor. Mas o amor ainda era tudo para mim.

 Até que um dia, a maldade se fez constante em minha vida. Me condenaram, me derrubaram, quase me destruíram. Foi quando resolvi lutar. Ninguém ali era mais forte do que eu, nem o amor, porque foi por ele que me transformei.

 Lutei, lutei contra a inveja e seus aliados, venci a batalha e tive de volta o amor. E foi tão mágico que até as forças da natureza se manisfestaram. Éramos novamente amigos, amantes, cúmplices e aliados. Porém, os ciúmes estavam maior que o amor, maior e mais frágil e minha força era abstrata. E logo isso foi descoberto, mas continuei lutando, mesmo sendo frágil e novamente fui perdendo o amor.

 A maldade era uma senhora muito inteligente. Não usou de força comigo. Apenas usou meu medo de perder o meu amor e fez me defender em mais uma batalha e, infantilmente, confiei no inconfiável. Eu caí em um jardim cheio de espinhos que por anos foi meu vizinho e sempre me admirou, mas ele me furou os olhos. Ele também era guiado pela inveja.

 Cego, fiquei abandonado. O amor me rejeitava porque não me conhecia mais. Eu queria vencer aquela guerra de qualquer forma, a qualquer preço. Vendi minha alma para a raiva e ela me alimentou com o ódio. Eu odiava a todos, principalmente o amor. Porque ele me deixou sozinho quando mais precisei.

 Assim voltei para a guerra! Eu queria derrubar a todos. O primeiro seria o amor, porque eu o amava tanto, eu o defendi, eu lutei por ele, apanhei por ele e ele me abandonou. Planejei tudo. Eu iria mostrar a ele tudo que a inveja fez e tirar as máscaras de seus aliados. Ia mostrar todo o mal que estava guardado.

 Mas minha força, lembram, é abstrata. Eu caí em uma cilada e, ao cair, caí nos pés do amor cego, alucinado, fora de mim, querendo vingança. Não reconheci meus erros, nem ele reconheceu que me abandonou. Eu não tinha olhos para ver, mas pude sentir nas palavras a tristeza do amor achando que eu sempre o enganei e fui falso com ele todo o tempo. Ele naquele momento assim como os outros sentimentos , também pisou em mim. Desde então não nos vemos mais.

 Onde o amor estiver e os ciúmes chegarem, tudo acaba, o amor some! Então digo a vocês: eu não sou ruim, sou um pobre coitado, cego, que corre atrás do amor tentando mostrar que não enganei, não menti, me ceguei diante da vingança, mas tenho uma alma pura que muita ama. Mas ele não me quer por perto, quebrou a confiança.

 Hoje sei que o amor nunca me deixou sozinha. Ele estava o tempo todo comigo, porém ele era superior à inveja e a toda aquela maldade. Ele nunca desceria ao nível da inveja como eu fiz. Me igualei quase me perdendo totalmente. Eu estava à frente pra ele, mas eu o coloquei em segundo plano, perdendo assim o amor.

 A história do amor que todos conhecem é linda. Só esqueceram de dizer que eu sou parte dele. Juntos somos um só! Não há amor sem ciúmes, nem ciúmes sem amor!

 Essa é minha história: a história dos ciúmes!!! Então amigos, eu lhes digo: - Não crucifiquem os ciúmes. Agora já sabem minha história. Tentem me entender já que o amor não me entendeu!!!


* A Diovana foi minha aluna. Ela já lançou um livro de poesias e um novo com crônicas está a caminho. É o orgulho dessa ex-prô!





sábado, 27 de outubro de 2012

Legal, porém imoral!



Nenhuma lei instituída pelo homem pode suplantar a lei moral. Os doutores da lei erram ao interpretarem os ditames dos códigos criados pelo homem através dos séculos onde os conceitos morais estão sendo deixados de lado e substituídos pela técnica que exige provas materiais em seus julgamentos sem se importar com evidências.
Caminhamos mal para o futuro, não estamos longe da barbárie humana. A vida está cada vez mais desvalorizada porque nossas elites estão deterioradas, nos falta líderes espirituais ou políticos. Estamos  rodeados de falsos profetas, e políticos demagogos e corruptos e o resultado disso está nas ruas, na violência, no salve-se quem puder.
Não se pode contrariar as leis da física, assim como não podemos substituir as leis naturais e morais pelos códigos de condutas elaborados pelos homens de acordo com suas conveniências. Não se pode negar o óbvio como costumam fazer alguns cretinos ao interpretarem lei ao bel–prazer. A verdadeira justiça só se faz através do respeito às leis morais. Se não for assim, pode ser  legal, porém jamais será moral!

Laerte Russini





sábado, 20 de outubro de 2012

Recomeço...


Hoje existem edifícios altos e estradas mais largas, porém temperamentos pequenos e pontos de vista estreitos. Gastamos mais, porém desfrutamos menos. Temos casas maiores, porém famílias menores.

 Temos mais compromissos, porém menos tempo. Temos mais conhecimento, porém menos discernimento. Temos mais remédios, porém menos saúde. Multiplicamos bens, porém reduzimos os nossos valores humanos. Falamos muito, amamos pouco e odiamos demais. Chegamos a lua, porém temos problemas para atravessar a rua e conhecer nosso vizinho.

 Conquistamos o espaço exterior, porém não o interior. Temos dinheiro, porém menos moral. É tempo de mais liberdade, porém menos alegrias... Tempo de mais comida, porém menos vitamina... Dias em que chegam 2 salários em casa, porém aumentam os divórcios. Dias de casas lindas, porém de lares desfeitos.

 Por tudo isso, proponho que hoje e para sempre você não deixe nada “para uma ocasião especial”. Por que cada dia que você viver será uma ocasião especial. Procure Deus. Conheça-o. Leia mais, sente na varanda e admire a paisagem sem se importar com a tempestade. Passe mais tempo com sua família e amigos, coma sua comida preferida, visite os lugares que ama.

 A vida é uma sucessão de momentos para serem desfrutados, não apenas para sobreviver. Use suas taças de cristal, não guarde seu melhor perfume, é bom usá-lo cada vez que sentir vontade. As frases “um dia desses”, “algum dia”, elimine-as de seu vocabulário. Escreva aquela carta que pensava escrever “um dia desses”.

 Diga a seus familiares, amigos o quanto os ama. Por isso não protele nada daquilo que somaria à sua vida sorrisos e alegrias. Cada dia, hora e minuto são especiais. E você não sabe se será o ultimo. Um bom começo de mudança pra você!

Daqui: www.rivalcir.com.br



domingo, 14 de outubro de 2012

Orgulho de ser professor





Pesquisa realizada pela Fundação Carlos Chagas, em 2009, por encomenda da Fundação Victor Civita, confirmou tecnicamente o que a maioria dos brasileiros já sabia: quase ninguém mais quer ser professor ou professora. Na verdade, este "quase" está quantificado: dos 1,5 mil alunos do terceiro ano do Ensino Médio ouvidos pelos pesquisadores, apenas 2% confirmaram a intenção de cursar Pedagogia ou alguma licenciatura voltada para o magistério. O dado expressa de forma eloquente a desvalorização de uma profissão que já foi o sonho de consumo das famílias brasileiras nas décadas de 60 e 70 do século passado. E o mais desconcertante é que os professores continuam sendo tão necessários para o país quanto o eram naquela época, porque depende deles a formação das próximas gerações.


Três aspectos prioritários são apontados pelos jovens como causas da rejeição: 1) Falta de reconhecimento social; 2) Salários baixos; e 3) Trabalho desgastante. Entre os 32% de alunos que chegaram a pensar em ser professor, conforme a pesquisa, muitos encontraram resistência familiar ou foram desaconselhados por pessoas de suas relações, sempre com o argumento de que estariam condenados a ganhar pouco e a enfrentar rotinas árduas e desinteressantes nas escolas. E ninguém desconhece que esta é mesmo a realidade do magistério no país, especialmente na rede pública de ensino.


Há ainda um subproduto cruel desta desvalorização, que é o direcionamento para a carreira de uma parcela de alunos com mau desempenho nos níveis intermediários. Como eles não conseguem classificação para os cursos mais disputados, a formação docente vira um prêmio de consolação. Ainda assim, o país conta com muitos professores competentes, responsáveis e verdadeiramente comprometidos com as causas da educação. Aí entra aquele conjunto de valores que historicamente compõem a personalidade dos educadores: vocação, dedicação e profissionalismo.


Fiquemos com esta última qualidade, que deveria ser a predominante em qualquer atividade laboral. Docência não é, nem deve ser, sacerdócio. É saudável que os mestres tenham seguido sua vocação e que sejam pessoas dedicadas à atividade que escolheram. Porém, para que a educação tenha a qualidade desejada, os professores precisam ser, acima de tudo, bons profissionais _ o que, logicamente, deve incluir recompensa adequada, mas também avaliação e cobrança compatíveis com a importância do cargo.


É inquestionável a relevância da missão de ensinar. A educação tem o poder de transformar as pessoas e de tornar as sociedades mais iguais e mais justas. Sem professores, não haveria médicos, engenheiros, advogados e outros diplomados em ofícios respeitados por todos os cidadãos. O professor é a base da formação de todos os profissionais.


O Brasil deveria orgulhar-se de seus professores e valorizá-los como merecem, para que os mestres também voltem a ter orgulho da profissão que escolheram.


Fonte: Jornal Zero Hora
Imagens: Google


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Felicidade: sorte ou opção?


"Pessoas consideradas inteligentes dizem que a felicidade é uma idiotice, que pessoas felizes não se deprimem, não têm vida interior, não questionam nada, são uns bobos alegres, enfim, que a felicidade anestesia o cérebro.
Eu acho justamente o contrário: cultivar a infelicidade é que é uma burrice. O que não falta nessa vida é gente sofrendo pelos mais diversos motivos: ganham mal, não têm um amor, padecem de alguma doença, sei lá, cada um sabe o que lhe dói. Todos trazem uns machucados de estimação, você e eu inclusive. No que me diz respeito, dedico a meus machucados um bom tempo de reflexão, mas não vou fechar a cara, entornar uma garrafa de uísque e me considerar uma grande intelectual só porque reflito sobre a miséria humana. Eu reflito sobre a miséria humana e sou muito feliz, e salve a contradição.

Felicidade depende basicamente de duas coisas: sorte e escolhas bem feitas. Tem que ter a sorte de nascer numa família bacana, sorte de ter pais que incentivem a leitura e o esporte, sorte de eles poderem pagar os estudos pra você, sorte por ter saúde. Até aí, conta-se com a providência divina. O resto não é mais da conta do destino: depende das suas escolhas.

Os amigos que você faz, se optou por ser honesto ou ser malandro, se valoriza mais a grana do que a sua paz de espírito, se costuma correr atrás ou desistir dos seus projetos, se nas suas relações afetivas você prioriza a beleza ou as afinidades, se reconhece os momentos de dividir e de silenciar, se sabe a hora de trocar de emprego, se sai do país ou fica, se perdoa seu pai ou preserva a mágoa pro resto da vida, esse tipo de coisa.

A gente é a soma das nossas decisões, todo mundo sabe. Tem gente que é infeliz porque tem um câncer. E outros são infelizes porque cultivam uma preguiça existencial. Os que têm câncer não têm sorte. Mas os outros, sim, têm a sorte de optar. E estes só continuam infelizes se assim escolherem".

(Martha Medeiros)



segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Reverência ao destino



Falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião.
Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente queremos dizer, o quanto queremos dizer, antes que a pessoa se vá.

Fácil é julgar pessoas que estão sendo expostas pelas circunstâncias.
Difícil é encontrar e refletir sobre os seus erros, ou tentar fazer diferente algo que já fez muito errado.

Fácil é ser colega, fazer companhia a alguém, dizer o que ele deseja ouvir.
Difícil é ser amigo para todas as horas e dizer sempre a verdade quando for preciso.
E com confiança no que diz.

Fácil é analisar a situação alheia e poder aconselhar sobre esta situação.
Difícil é vivenciar esta situação e saber o que fazer ou ter coragem pra fazer.

Fácil é demonstrar raiva e impaciência quando algo o deixa irritado.
Difícil é expressar o seu amor a alguém que realmente te conhece, te respeita e te entende.
E é assim que perdemos pessoas especiais.

Fácil é mentir aos quatro ventos o que tentamos camuflar.
Difícil é mentir para o nosso coração.

Fácil é ver o que queremos enxergar.
Difícil é saber que nos iludimos com o que achávamos ter visto.
Admitir que nos deixamos levar, mais uma vez, isso é difícil.

Fácil é dizer "oi" ou "como vai?"
Difícil é dizer "adeus", principalmente quando somos culpados pela partida de alguém de nossas vidas...

Fácil é abraçar, apertar as mãos, beijar de olhos fechados.
Difícil é sentir a energia que é transmitida.
Aquela que toma conta do corpo como uma corrente elétrica quando tocamos a pessoa certa.

Fácil é querer ser amado.
Difícil é amar completamente só.
Amar de verdade, sem ter medo de viver, sem ter medo do depois. Amar e se entregar, e aprender a dar valor somente a quem te ama.

Fácil é ouvir a música que toca.
Difícil é ouvir a sua consciência, acenando o tempo todo, mostrando nossas escolhas erradas.

Fácil é ditar regras.
Difícil é seguí-las.
Ter a noção exata de nossas próprias vidas, ao invés de ter noção das vidas dos outros.

Fácil é perguntar o que deseja saber.
Difícil é estar preparado para escutar esta resposta ou querer entender a resposta.

Fácil é chorar ou sorrir quando der vontade.
Difícil é sorrir com vontade de chorar ou chorar de rir, de alegria.

Fácil é dar um beijo.
Difícil é entregar a alma, sinceramente, por inteiro.

Fácil é sair com várias pessoas ao longo da vida.
Difícil é entender que pouquíssimas delas vão te aceitar como você é e te fazer feliz por inteiro.

Fácil é ocupar um lugar na caderneta telefônica.
Difícil é ocupar o coração de alguém, saber que se é realmente amado.

Fácil é sonhar todas as noites.
Difícil é lutar por um sonho.

Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata".

Carlos Drummond de Andrade



terça-feira, 25 de setembro de 2012

Educar ou...



FLÁVIO TAVARES*

A vida tem três estágios _ passado, presente e futuro _ e, se algum deles falha, tudo pode vir abaixo. Lembro-me disto em função da campanha que este jornal (Zero Hora) e outros meios de comunicação lançaram no Rio Grande e em Santa Catarina _ A Educação Precisa de Respostas. O lema obriga a indagar e a sonhar. Nunca é demais despertar para os sonhos e, neles, pensar e raciocinar para que o sonhado vire caminho para a realidade. Não há respostas, porém, sem debater e esmiuçar, concordar e discordar, opor opiniões, dissecar números. E, mais ainda, observar com isenção, sem preconceitos, para o novo não virar velho.
A ditadura da unanimidade, que ama o aplauso e odeia o debate, não tem resposta para nada. Menos ainda na educação, processo lento, iniciado ao nascer e que só se conclui na morte. Aprendemos sempre, em maior ou menor grau, até o suspiro final.
Sim, pois a educação não está apenas na sala de aula. A escola é o fundamento e, durante séculos, foi a educação em si. A "instrução" abarcava o mundo do saber. Mas o mundo era tímido. As viagens, lentas, em ferrovia ou barco. O telégrafo era a rapidez máxima. Não havia a ansiosa comunicação instantânea atual. Até a fala era comedida. Fora da escola, só as religiões formavam consciências. E sem exigir pagamento...

***

Este era o mundo de quando minha avó paterna, Malvina Hailliot, rebelou-se em Porto Alegre contra a palmatória na escola e a mandaram para o interior de Lajeado, "de castigo". Ou de quando, em Estrela, minha tia-avó materna, Idalina Porto, falava alemão para alfabetizar os alunos em português. Meio século após, em 1963, quando fui lecionar na Universidade de Brasília, o mundo começava a mudar.
Hoje, a educação entra casa adentro, em cores, pela TV. Em vez de ideias ou conceitos, traz sons estridentes, música sem melodia, gritaria por aberrações ou escândalos. Ensina a beber cerveja e refrigerante. Anárquica mas direta, suplanta a escola convencional.
Em palestras em universidades, pergunto sempre quem é o ministro da Educação. Chovem nomes e ninguém acerta! Todos riem quando digo que os "ministros" são o Sílvio Santos, a Xuxa, o Bial, o Faustão, a Gimenez, o Gugu e outros. E, além de todos, o Ratinho, que, ao ter voz, é mais grotesco que o brutal MMA de socos e pontapés.

***

A extravagância manda. Educa-se para o espetáculo grosseiro do gesto, fala ou ato. O absurdo da invencionice domina a internet e leva os jovens a propagar a mentira. Que poder tem a palavra do professor em aula, comparado ao ardor das futricas do Facebook e similares?
A resposta estará em levar o computador à escola fundamental para "competir" com a internet?? Só dotar o ensino de novas tecnologias não difere muito de entregar um automóvel a uma criança de oito anos. Ou de considerá-la apta para casar-se ou se iniciar sexualmente só por ter os órgãos genitais perfeitos e no lugar onde devem estar. O computador é um instrumento para quem sabe, não um fim em si. Primeiro, é preciso saber. Einstein não teve computador. Nem Steve Jobs ou Bill Gates, quando guris.
Ontem, hoje e amanhã _ educar ou perecer! Busquemos as respostas.

*Jornalista e escritor
Colunista do jornal Zero Hora



quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Você já beijou hoje?



Beijo que te quero mais!
Por Rosana Braga

Beijo deveria ser moeda de pedágio. Passar pela porta de casa seria proibido sem antes lascar um beijo na mãe, no pai, no irmão, no filho, no marido e, para quem gosta, até no cachorro!

Beijo deveria ser como bolinha de sabão. Num sopro, a gente poderia mandar alguns pelos ares, que explodiriam na pele de quem neles encostassem. E de repente, sem saber de onde veio, seríamos presenteados com um beijinho perdido pelas ruas da cidade...

Beijo deveria ser elemento químico. Constar na Tabela que a gente tem de decorar para a prova de química, no colégio. Assim, certamente seria mais interessante e ainda ensinaria qual a fórmula mágica deste estalo tão bom...

Beijo deveria caber num envelope, mesmo que fosse dos maiores, mas que pudéssemos enviá-lo pelo correio, para aquela pessoa que está tão longe e que daria qualquer coisa para sentir o gosto da boca de seu amado.

Beijo deveria acender luzes pelo corpo da gente. E quando a energia elétrica entrasse em pane, bastaria que demonstrássemos nosso amor pelas pessoas queridas e qualquer escuridão terminaria...

Beijo deveria estar disponível nas vitrines das melhores docerias. Poderia até ter preço especial, mas que pudessem pagar por ele aqueles que aparentemente menos merecessem, porque beijos são realmente transformadores e certamente provocariam reações sensacionais.

Mas beijo não é assim. É particular e a gente escolhe em quem quer dar. Porque beijo é um presente que precisa de vontade para ser oferecido. E talvez seja melhor que assim aconteça: não tão anônimo, não tão sem motivo, nunca forçado, ainda que possa ser pedido.

Por fim, é essencial que o beijo seja leve, fluido, sintonizado com a delicadeza própria de quem sabe dar. Na verdade, beijo é sempre dado. Receber é apenas contingência da mais gostosa e prazerosa troca entre duas pessoas que se desejam insanas por alguns instantes...

... posto que um beijo pode valer mais que a lucidez de uma vida inteira.





quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Seu apartamento é feliz?



Dia desses fui acompanhar uma amiga que estava procurando um apartamento para comprar. Ela selecionou cinco imóveis para visitar, todos ainda ocupados por seus donos, e pediu que eu fosse com ela dar uma olhada. Minha amiga, claro, estava interessada em avaliar o tamanho das peças, o estado de conservação do prédio, a orientação solar, a vizinhança. Já eu, que estava ali de graça, fiquei observando o jeito que as pessoas moram.

Li em algum lugar que há uma regra de decoração que merece ser obedecida: para onde quer que se olhe, deve haver algo que nos faça feliz. O referido é verdade e dou fé. Não existe um único objeto na minha casa que não me faça feliz, pelas mais variadas razões: ou porque esse objeto me lembra de uma viagem, ou porque foi um presente de uma pessoa bacana, ou porque está comigo desde muitos endereços atrás, ou porque me faz reviver o momento em que o comprei, ou simplesmente porque é algo divertido e descompromissado, sem qualquer função prática a não ser agradar aos olhos.

Essa regra não tem nada a ver com elitismo. Pessoas riquíssimas podem viver em palácios totalmente impessoais, aristocráticos e maçantes com suas torneiras de ouro, quadros soturnos que valem fortunas e enfeites arrematados em leilões. São locais classudos, sem dúvida, e que devem fazer seus monarcas felizes, mas eu não conseguiria morar num lugar em que eu não me sentisse à vontade para colocar os pés em cima da mesinha de centro.

A beleza de uma sala, de um quarto ou de uma cozinha não está no valor gasto para decorá-los, e sim na intenção do proprietário em dar a esses ambientes uma cara que traduza o espírito de quem ali vive. E é isso que me espantou nas várias visitas que fizemos: a total falta de espírito festivo daqueles moradores. Gente que se conforma em ter um sofá, duas poltronas, uma tevê e um arranjo medonho em cima da mesa, e não se fala mais nisso. Onde é que estão os objetos que os fazem felizes? Sei que a felicidade não exige isso, mas pra que ser tão franciscano? Um estímulo visual torna o ambiente mais vivo e aconchegante, e isso pode existir em cabanas no meio do mato e em casinhas de pescadores que, aliás, transpiram mais felicidade do que muito apê cinco estrelas. Mas grande parte das pessoas não está interessada em se informar e em investir na beleza das coisas simples. E quando tentam, erram feio, reproduzindo em suas casas aquele estilo showroom de megaloja que só vende móveis laqueados e forrados com produtos sintéticos, tudo metido a chique, o suprassumo da falta de gosto. Onde o toque da natureza? Madeira, plantas, flores, tecidos crus e, principalmente, onde o bom humor? Como ser feliz numa casa que se leva a sério?

Não me recrimine, estou apenas passando adiante o que li: pra onde quer que se olhe, é preciso alguma coisa que nos deixe feliz. Se você está na sua casa agora, consegue ter seu prazer despertado pelo que lhe cerca? Ou sua casa é um cativeiro com o conforto necessário e fim?

Minha amiga ainda não encontrou seu novo lar, mas segue procurando, só que agora está visitando, de preferência, imóveis já desabitados, vazios, onde ela possa avaliar não só o tamanho das peças, a orientação solar, o estado geral de conservação, mas também o potencial de alegria que os ex-moradores não souberam explorar.

Martha Medeiros



quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A Internet e a Juventude


ANTÔNIO MESQUITA GALVÃO*

Há cerca de 20 anos, era moderno dizer que se tinha "endereço eletrônico" ou trocar essa informação com amigos, namoradas etc. Isto hoje, em face do progresso, é coisa superada, em face das inovações tecnológicas que a cada dia nos surpreendem com avanços antes impensáveis.
No Brasil, temos um ponderável número das chamadas "redes sociais", onde podemos destacar Orkut, Facebook, Twitter, Linkedin e outras. Em oposição aos problemas que essa exacerbação provoca, salienta-se a velocidade da circulação das notícias. O que vamos ler no jornal de amanhã ou assistir no telejornal da noite é possível tomar conhecimento online, quase na hora que ocorreu o fato. Correm as notícias, mas não raro fofocas, calúnias e informações distorcidas. Essa facilidade de comunicação ajuda, mas serve para disseminar racismo, pornografia, violência e outros crimes.
Antes eram os celulares. Quando surgiram, eram um xodó! Hoje, o que menos se usa é o telefone, pois a gama de ofertas tecnológicas (inclusive como máquina de fotografia digital) faz com que as pessoas, a partir de crianças de pouca idade, passem o dia inteiro com ele nas mãos, descobrindo coisas. Tive uma empregada que tinha dois aparelhos, com quatro chips e atendia em média umas 10 ligações por dia. Ela fazia faxina com uma mão e segurava o celular com a outra. O fato é que o celular e a internet se tornaram hoje um apêndice das pessoas, especialmente dos jovens. É raro quem não os tenha. É indiscutível que os celulares modernos, de última geração, são objetos de utilidade, mas em muitos casos se tornaram motivo de ostentação e estão virando uma paranoia.
Vi, em um consultório médico, enquanto a senhora fazia a ficha com a atendente, as duas filhas digitavam seus aparelhinhos, buscando aquela "comunicação com o mundo" que o fabricante apregoa. Quatro rapazes estavam na praia, sentados em suas cadeirinhas, com os celulares da mão, fones ao ouvido: davam mais atenção ao que passava na tela do que à paisagem e às meninas que desfilavam pela orla.
É comum ver, em lugares públicos, pessoas conectadas, através de celulares, laptops e tablets. Há dificuldades na comunicação com amigos e parentes, mas ela ocorre com os parceiros da web. Os professores têm dificuldade em fazer com que os jovens troquem seus celulares pelo conteúdo das matérias. Há pais que se queixam de que a garotada não abre mão dessa tecnologia nem na hora das refeições. No Brasil há 2,5 celulares por pessoa. Isso proporciona uma comunicação incrível com o mundo virtual.

*Filósofo e doutor em Teologia Moral



sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Tudo o que vicia


Por alguma razão que ainda desconheço, minha mente foi tomada por uma ideia um tanto sinistra: vícios.

Refleti sobre todos os vícios que corrompem a humanidade. Pensei, pensei e,de repente, um insight: tudo que vicia começa com a letra C!

De drogas leves a pesadas, bebidas, comidas ou diversões, percebi que todo vício curiosamente iniciava com cê.

Inicialmente, lembrei do cigarro que causa mais dependência que muita droga pesada. Cigarro vicia e começa com a letra c. Depois, lembrei das drogas pesadas: cocaína, crack e maconha. Vale lembrar que maconha é apenas o apelido da cannabis sativa que também começa com cê.

Entre as bebidas super populares há a cachaça, a cerveja e o café. Os gaúchos até abrem mão do vício matinal do café mas não deixam de tomar seu chimarrão que também – adivinha – começa com a letra c.

Refletindo sobre este padrão, cheguei à resposta da questão que por anos atormentou minha vida: por que a Coca-Cola vicia e a Pepsi não? Tendo fórmulas e sabores praticamente idênticos, deveria haver alguma explicação para este fenômeno. Naquele dia, meu insight finalmente revelara a resposta. É que a Coca tem dois cês no nome enquanto a Pepsi não tem nenhum.

Impressionante, hein?

E o computador e o chocolate? Estes dispensam comentários. Os vícios alimentares conhecemos aos montes, principalmente daqueles alimentos carregados com sal e açúcar. Sal é cloreto de sódio. E o açúcar que vicia é aquele extraído da cana.

Algumas músicas também causam dependência. Recentemente, testemunhei a popularização de uma droga musical chamada “créeeeeeu”. Ficou todo o mundo viciadinho, principalmente quando o ritmo atingia a velocidade… cinco.

Nesta altura, você pode estar pensando: sexo vicia e não começa com a letra C. Pois você está redondamente enganado. Sexo não tem esta qualidade porque denota simplesmente a conformação orgânica que permite distinguir o homem da mulher. O que vicia é o “ato sexual”, e este é denominado coito.

Pois é. Coincidências ou não, tudo que vicia começa com cê. Mas atenção: nem tudo que começa com cê vicia. Se fosse assim, estaríamos salvos pois a humanidade seria viciada em Cultura.

Luiz Fernando Veríssimo




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