Esta turma costuma refletir bastante!

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

O próximo




“O próximo”.
Passaram-se alguns segundos e ouviu-se a mesma voz:
“O próximo, ficha 54”.
Então a senhora de cabelos brancos levantou-se do banco e dirigiu-se ao balcão, levando sua ficha na mão, para ser atendida.
A funcionária pedia os documentos, que lhe iam sendo entregues, para marcar o exame. Até que surgiu o impasse, estava faltando a carteira do serviço médico, indispensável para confirmar o agendamento.
A velhinha começou a procurar num saco plástico, onde trazia seus papéis. Seus dedos magros buscavam a carteira dentro daquele saco, que algum dia já fora translúcido, mas agora, de tanto manuseio, era opaco e frágil.
A busca inexitosa era perceptível na expressão de desalento, que tomava conta de seu rosto enrugado. A frase de que, sem a carteirinha não era possível confirmar o exame, equivalia a uma frustração absoluta e indicava que teria que voltar outro dia e começar tudo outra vez. O ar de súplica, que emergia de seus olhos miúdos, pedia socorro à funcionária do balcão.
“A senhora não tem sua carteira de identidade?”
A mão trêmula alcançou o documento para a funcionária, que disse:
“Aguarde um pouco, que vou até o meu colega, que tem o computador que acessa o sistema, e, com o número da RG, pode ser que ele consiga obter os dados da sua carteira do serviço médico”.
Ela não entendeu bem o que a funcionária dizia, mas percebia que era algo para ajudá-la e sorriu agradecendo.
Passaram-se alguns minutos e a atendente voltou, também sorrindo, o que significava sucesso na sua missão. Disse que tudo dera certo e conseguira os dados necessários, imprimiu a requisição, deu as instruções de como deveria proceder e entregou para a velhinha, que apenas conseguiu dizer:
“Muito obrigado minha filha”.
Passou-se uma semana.
A funcionária chamou a próxima ficha, quando viu a velhinha aproximar-se do balcão. Ela tirara uma ficha para ser atendida e trazia na mão um vasinho de plástico com uma violeta plantada, enrolada em papel colorido e amarrada com uma fitinha rosa de material sintético.
“Não preciso ser atendida, já fiz os exames” e continuou:
“Vim só para agradecer sua ajuda e lhe trazer essa florzinha”, estendendo o braço e colocando sobre o balcão.
“Ora, não precisava, muito obrigada” respondeu emocionada a funcionária.
A velhinha sorriu, seus olhos pequenos brilhavam, e disse apenas: “elas gostam de luz”, apontando para o vasinho e retirando-se para não atrapalhar o serviço.
Passaram-se meses, o vasinho que era preto começava a ficar acinzentado, acomodado no exíguo espaço ao lado do balcão de fórmica, iluminado pela luz artificial da repartição pública.
Porém, de dentro dele a vida teimava em nascer, e emergiam duas pequenas violetas roxas, como um aceno, um instante de natureza na impessoalidade fria daquele local.
A velhinha não apareceu mais.
As flores seguem discretas no seu cantinho, como testemunhas mudas, porém eloquentes no seu significado, de que nas pequenas coisas, nos pequenos gestos, podemos tornar a vida melhor.

Léo Lolovitch

Daqui:
NA NUVEM


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Um dia como tantos


Também o dia de hoje começou bem, como sempre começaram bem os dias de minha vida até hoje. Afinal, se eu acordei, é porque estou vivo. E alguém quer sentir melhor sensação do que a de estar vivo ? Respirar fundo... dar aquela espreguiçada, um beijo de bom dia na companheira de tantos anos, e começar um novo dia, igual a tantos outros, e sempre diferente de todos. Sempre algo de novo poderá acontecer.

Problemas, existem, sempre existiram, e sempre existirão.

São circunstâncias da vida. O que conta é aquela agradável sensação de sentir-se vivo. Abrir os olhos, dar aquele "Bom Dia, Amigão", aquele "Bom Dia meu amor", levantar, também, depois olhar no espelho e poder dizer "Eu te amo, cara". Depois disso o dia está perfeito.

Com o bom humor em dia, sentar na cadeira (alguns dizem que sentam no computador... vai um alerta... é perigoso), batucar no teclado algumas palavras para os amigos e amigas, o que sempre faço com grande prazer. Pode ter coisa melhor ?

Poderia, se a conta bancária tivesse uns quantos zeros a mais, no lado certo... mas... são meros detalhes.

Penso que, realmente o que de melhor existe é o pensamento positivo... mas convenhamos que isso não é o suficiente, pois não adianta ter-se pensamento positivo se as coisas desejadas estão muito acima das possibilidades. Há que se procurar um meio termo.

Temos que ser também realistas para fazer um parâmetro entre o desejado e o exequível.

Teve um tal de Lair Ribeiro que disse: Triunfo é conseguir o que se quer. Felicidade, é querer o que se conseguiu.

É muito profundo esse pensamento. Existe muita gente que luta, luta, para conseguir um objetivo, e depois olha para aquilo que conseguiu e exclama: Pô... tanta luta para isso ?

Ora, vamos apreciar o resultado da batalha, vamos gostar daquilo que temos, ao invés de continuar só cobiçando o inatingível.

Concordo com o que poderão dizer alguns, que é a ambição que move o mundo. Sim, mas não a ambição desmedida. Já que conseguimos atingir um objetivo, vamos dar valor ao que conseguimos, ou seja, amar o que temos. Seguir um provérbio popular que diz: Não tenho tudo o que amo, mas amo tudo o que tenho...

O que move uma pessoa são seus desejos e emoções, portanto vamos coordenar as coisas, procurando medir bem nossos objetivos, para que tenhamos sempre em mente que é realmente aquilo que queremos, evitando perder tempo em diversas tentativas frustradas.

Sempre é desanimador, após conseguir chegar a um objetivo, verificar-se que não era bem aquilo que queríamos. Convenhamos, é frustrante. Tudo porque não se planejou direito.

Circunstâncias não previstas, que acabam atrapalhando a execução de muitos planos, porque não foram imaginadas antes de se começar o projeto.

O principal, é procurarmos nos conhecer. Saber de nossas reais possibilidades. Procurar descobrir qual nossa vocação e o que realmente gostamos de fazer. Depois, vem a parte mais importante, que é ver se existem condições para a execução desses planos, para não sermos obrigados a abandonar certos projetos no meio do caminho.

Na vida temos que ser práticos, e procurar fazer aquilo que for executável. Não adianta traçar objetivos inalcançáveis, para depois ficar lamentando que não tem sorte na vida, e que Deus o abandonou, quando na verdade o que houve foi um planejamento mal direcionado, e Deus não tem culpa das bobagens que fazemos.

Assim sendo, o mais importante é planejarmos nossas ações.

Depois disso, espero que todos tenham UM LINDO DIA.



Autor: Marcial Salaverry
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