
"À minha frente, tenho uma plena visão da noite.
A cidade dorme e a minha casa também!
Estou sentada em frente à janela da sala do meu apartamento, com os vidros fechados, mas a persiana aberta. As árvores do condomínio cresceram tanto que o pátio e os jardins estão meio escuros. Uma ou outra janela tem luz acesa.
Gosto da noite! Meu pique de energia é noturno. Minha criatividade aflora ao cair da tarde e ganha o pico quando anoitece. Por isso, adoro blogar à noite. Melhor dizendo... pela madrugada!
Concluí mais uma etapa da minha vida: terminei de pagar o apartamento. Comprei em 1986, mês de agosto, ainda solteira e sozinha. Paguei todas as 288 prestações com o meu dinheiro. Ninguém me ajudou. Nem mesmo o marido que veio depois. É a segunda casa própria que eu quito. A primeira, eu vendi há anos e gastei toooodo o dinheiro. E não me arrependo, pois ser feliz é o que importa.
Agora mais velha, mais madura, mais consciente da proximidade da... pior idade, fico feliz em ter onde morar no futuro e por ter pago com o meu salário de professora estadual. Foi uma grande vitória.
A primeira casa eu financiei em apenas cinco anos, mas as prestações eram altíssimas. Morria de medo de faltar dinheiro. Mas consegui adiantar o pagamento de algumas prestações e terminei antes do tempo.
Quando fiquei viúva aos 22 anos de idade, o ex-proprietário da casa me desafiou: "Devolve a casa, eu te devolvo o que já foi pago sem correção (que desaforo!), pois tu não vais conseguir pagar!" Eu fiquei tão indignada e, por birra, enfrentei a situação. Morrendo de medo de ele ter razão. Mas ele não teve. Eu paguei antes dos cinco anos. Sozinha!!!
Ao ficar viúva e sozinha tão jovem, fiquei desesperada, apavorada, assustada, mas cheia de coragem. O marido que faleceu havia pago somente umas quatro ou cinco prestações. E nem havia encaminhado os papéis (para a minha sorte!). Por isso, fui ao cartório na época, organizei a papelada no meu nome e encarei a dívida. E eu nem tinha emprego na época, pois fazia apenas dois meses que eu tinha me formado em Letras. Ele morreu em fevereiro e eu comecei a trabalhar em abril. Paguei as primeiras prestações com o dinheiro do seguro, pois foi considerado acidente de trabalho.
Agora, estou "casada" há 21 anos, oficialmente (no papel) desde 1994, e confesso estar muito orgulhosa de mim... mais uma vez! Eu consegui de novo!
Sempre digo à minha mãe que estas características eu herdei dela: coragem, iniciativa e confiança em mim mesma. Meu pai é uma ótima pessoa, de bom coração, honestíssimo, mas... sem iniciativa. Não confia em si mesmo. Tem muito medo de enfrentar certas situações. Deixou de fazer muita coisa na vida por isso.
Mais uma etapa vencida! Que venham outras que eu encaro mais uma vez. Desde que seja algo que eu deseje realmente e que possa contribuir para eu ser feliz. Caso contrário, tô fora!
No momento, não tenho intenções de adquirir bens materiais. Pra quê? Quero simplesmente viver, ter saúde, paz e ser (e fazer) feliz.
Valentina Rosin, comemorando!!! "
E a Sônia Silvino? Toda exibida! rs
